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terça-feira, 2 de agosto de 2011

Obama sanciona novo teto da dívida dos EUA






A Casa Branca anunciou que o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, sancionou na tarde desta terça-feira o novo teto da dívida do país aprovado na Câmara dos Representantes e no Senado, que deve evitar a moratória parcial. O acordo assinado por Obama prevê um corte de gastos na ordem de US$ 2,4 trilhões (R$ 3,7 trilhões) e uma elevação no teto da dívida na mesma proporção.

A Casa Branca tem um teto legal para a tomada de empréstimos para o pagamento das contas públicas, como o salário dos militares, os juros de dívidas prévias e o sistema de saúde. O limite anterior era de US$ 14,3 trilhões (R$ 22,3 trilhões). O acordo assinado pelo presidente permitirá que Tesouro empreste mais dinheiro para manter os compromissos, em troca de cortes de gastos governamentais de US$ 1 trilhão - valor que deve chegar a US$ 2,4 trilhões em dez anos.

O Senado americano aprovou o acordo nesta terça-feira, com 74 favoráveis e outros 26 votos contrários. O projeto de lei precisava de ao menos 60 votos favoráveis para ser aprovado. O acordo já havia sido aprovado na noite desta segunda-feira na Câmara dos Representantes - equivalente à Câmara dos Deputados - e atualmente controlada por membros do Partido Republicano (que faz oposição ao presidente Obama), com 269 votos favoráveis e 161 contrários.

Fonte: http://br.reuters.com/

Entenda o possível calote americano

Os quatro maiores credores de títulos públicos dos EUA são (em dólares): China – 1,152 trilhões; Japão – 906 bilhões; Reino Unido - 333 bilhões; Países exportadores de petróleo – 221 bilhões; Brasil – 207 bilhões; esses dados são de Abril deste ano. Isso significa que o Banco Central Brasileiro detém títulos do governo americano no valor de 207 bilhões. Se o governo americano não paga juros, os seus títulos são desvalorizados e todos esses países entram em prejuízo. Os títulos americanos são considerados de risco 0, por o país sempre ter honrado os seus credores. Por isso todos os governos do mundo aplicam preferencialmente em títulos do governo americano. O problema é global como se pode perceber.

Hoje os EUA possuem uma dívida econômica expressiva, pra ficar mais claro, o PIB americano arrecadou até agora 14,6 trilhões, e sua divida já atingiu a marca de 14,3 trilhões, e eles pretendiam aumenta-la para 16 trilhões, ou seja, a divida será maior que o próprio PIB. O governo é obrigado por lei a pagar todos os seus credores, mas não são só os credores a quem o governo deve, são muito mais pessoas (aposentados e pensionistas) e nações envolvidas, logo, se não sair esses acordos político o governo terá que optar por quem não irá receber.

Essa situação de certa forma envolve a credibilidade americana, logo a questão virou política, assim os americanos têm buscado estabelecer o tamanho do estrago para que se possa fazer uma possível renegociação da divida. Assim para que a divida possa ser aumentada, são necessários acordos políticos.

Por a situação ser tão dramática é bem provável que saiam todos esses acordos políticos. Se esse teto de endividamento do governo não for elevado, problemas internos dos EUA também serão expostos, os juros subirão, o patrimônio das famílias ficará comprometido e o país entrará numa dupla recessão.

O governo chinês tem se pronunciado bastante nas últimas semanas, tem-se exigido principalmente a garantia do direito dos investidores. Talvez essas declarações ganhem mais força, visto que o governo americano não tem visado abandonar a política de desvalorização do dólar.

Sobre o questionamento de um eventual Calote americano, os republicanos não acreditam que o Tesouro permitiria esse acontecimento. "Seria algo inédito na história americana", concluiu o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Timothy Geithner. "Uma moratória causaria danos catastróficos à economia da nação, reduzindo o crescimento de maneira significativa e aumentando o desemprego", completou.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

O Verdadeiro Trem da Alegria



(Parte II da Série Honoráveis Bandidos)

Roseana deu os primeiros passos na política em pleno Palácio do Planalto, no Gabinete Civil da Presidência da República, aos 32 anos, formada em ciências sociais, um vernizinho de esquerdista, um violão mal tocado, o apelido de Princesinha do Calhau – menção à mansão colonial na praia do Calhau, que ocupa um quarteirão inteiro de 20.000 metros quadrados.

Quem entra na mansão de Sarney imagina tudo, menos uma residência. Sarney chegou a retirar o portão de ferro fundido do cemitério de Alcântara, ilha tombada pelo Patrimônio Histórico, e levar para casa como peça de decoração. Quando o visitou, o ex-presidente socialista de Portugal, Mário Soares, levado à mansão, depois de algum tempo de espera, perguntou a Fernando, filho caçula do senador:

“Agora vamos à casa do presidente Sarney?”

Pensou que estava num museu.

Folha Online, 25 de março de 2009: “Sarney, ACM e Renan criaram 4.000 vagas no Senado”

Trem da alegria – Entre os servidores efetivos, nem todos são concursados. Estes somam cerca de 1.200. Entre 1971 e 1984, os senadores aproveitaram para efetivar servidores por meio de atos administrativos, embora isso fosse vedado pela Constituição. A atual líder do governo no Senado, Roseana Sarney (PMDB –MA), é servidora do Senado graças a um trem da alegria de 1982, assinado pelo então senador Jarbas Passarinho.

O coronel Jarbas Passarinho prestou grandes desserviços à nação, seja como ministro da Educação da ditadura militar quando reprimiu e perseguiu estudantes e professores, seja como incentivador do AI-5. No finalzinho da ditadura, serviu aos apaniguados com o ato que beneficiou a filha dileta de seu amigo José Sarney, antecipando o legítimo Trem da Alegria de 1984, do senador do PDS Moacyr Dalla, que embarcou 780 felizardos na gráfica do Senado e outros 600 nos gabinetes da Casa, entre eles a mesma Roseana, que nem morava em Brasília, mas no Rio.

Pós-Trem da Alegria

Na eleição de 1994, para o governo do Estado do Maranhão, Epitácio Cafeteira perdeu para Roseana, no segundo turno, por um por cento dos votos. Cafeteira havia ganhado o primeiro turno com folga e no segundo foi derrotado por um triz graças, segundo denúncias documentadas, a uma fraude grosseira nas apurações. O que se sabe com certeza é que papai Sarney instalou-se pessoalmente dentro do Tribunal Regional Eleitoral, o TRE, e de lá só saiu quando os votos para a vitória da filha estavam assegurados.

O colunista Márcio Moreira Alves, no jornal O Globo, denunciou que o próprio Cafeteira teria recebido uma fortuna para ficar quieto, aceitar a derrota (apesar de vencer por 70 mil votos) e fazer corpo mole no recurso junto ao Tribunal Superior Eleitoral – perdeu o prazo. Jamais qualquer uma das partes respondeu à gravíssima acusação de Moreira Alves.

segunda-feira, 28 de março de 2011

“AL CAPONE SERIA MERO APRENDIZ”

Traremos a partir de hoje, uma série de artigos, provenientes do livro “Honoráveis Bandidos – Um retrato do Brasil na era Sarney”, de Palmério Dória. Postaremos aqui fatos narrados na obra, os quais sempre terão alguma relação com nosso herói. Antes dessa leitura já tínhamos conhecimento do poder de Sarney na política brasileira, mas confessamos que ficamos surpresos com os fatos trazidos por Palmério. São chocantes, e nos fazem imaginar se existe no mundo, algo comparável ao que faz aqui, nosso Velho Coronel. Diante de tais fatos completamente absurdos e revoltantes, nos sentimos na obrigação de compartilhar com nossos leitores as mazelas dos nossos poderes (sim, os três poderes, nosso Montesquieu deve estar se revirando no túmulo, coitado). É a nosso política, e o mundo maravilhoso da politicagem. Recomendamos a todos a leitura na íntegra destra obra literária.



“AL CAPONE SERIA MERO APRENDIZ”

O pai de Sarney é quem lhe abre todas as portas. A família Costa veio do interior, de Pinheiro, no oeste, para as bandas da fronteira com o Pará, na região da Baixada.

Sarney, com 15 anos, começou a estudar no Liceu Maranhense. Anderson Lago, de tradicional estirpe política, chefe da Casa Civil do governador maranhense Jackson Lago em 2009, é uma memória viva daqueles tempos:

“Sarney nasceu, cresceu e criou dentes dentro do Tribunal. O pai não era um fazendeiro abastado, empresário, não era porra nenhuma. Nunca tiveram nada. Nunca acertaram nem no jogo do bicho. Sarney não tem como explicar a fortuna que tem. Ele mesmo contou, quando presidente da República, na inauguração do Fórum Sarney Costa, que o pai teve que vender sua máquina de escrever para mantê-lo por uns tempos.”

Nascido em 24 de abril de 1930, pouco antes da revolução modernizadora liderada por Getúlio Vargas, Sarney Filho cursou direito e iniciou-se na política estudantil na década de 1950. O pai arranja-lhe o emprego, secretário do Tribunal de Justiça. Nessa época, os processos eram distribuídos por sorteio. Colocavam os nomes dos desembargadores numa caixinha e o secretário do Tribunal era quem sorteava o relator de cada processo. Seus primeiros “negócios” foram feitos nessa caixinha. O desembargador que ele “sorteava” era sempre aquele que resolveria o caso conforme a sua conveniência.

Anderson Lago narra a história de certo engenheiro italiano que havia construído a fortaleza de Dien Bien Phu, no Vietnã, e para cá veio tocar a construção do porto de Itaqui, perto de São Luís – por onde meio século depois sairia o minério de Carajás e outras mil riquezas do Brasil. Surgiu uma demanda judicial contra a empresa do italiano. No último julgamento, que a empresa perderia e, por isso, quebraria, descendo a escadaria do Tribunal, o italiano, referindo-se a Sarney, comentou com seus advogados:

“Se Al Capone estivesse vivo e aqui estivesse, diante desse rapaz de bigodinho seria um mero aprendiz.”


terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Como o Brasil é visto lá fora ?

Quando nós pensamos no nosso próprio país, o que vem à cabeça? Samba, Funk, Corrupção, Dívidas, péssimos políticos e a lista continua. Mas e quando pessoas de outros países pensam do nosso? O senso comum é apenas que pensam somente no Rio de Janeiro e suas praias ou os cenários naturais do nosso país e logo nos vêem como um país possivelmente pobre ou cheio de problemas sociais e econômicos. Isso já está errado. No final do ano passado, o programa 60 Minutes fez uma reportagem sobre o Brasil e como os estadunidenses nos vêem. Assistam:






E, por mais incrível que pareça, eles estão corretos.

Temos toda a potencialidade do mundo, mas temos nosso "jeitinho brasileiro". Vislumbramos nosso país ter toda a potência de crescimento nas mãos e fica como está, completamente má admnistrada.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

BRIZOLA VIVE!


"Tu sabes do que me ocupo quando não estou pensando nem fazendo política? Eu durmo"
Esta frase foi citada no ano de 2002, ano em que seu autor completou oito décadas de vida. Estaria a ilustre personalidade, autor desta citação, completando 89 anos de vida neste último sábado dia 22 de Janeiro de 2011.
Gaúcho de muita garra, nascido no ano do centenário da Independência do Brasil, batizado como Itagiba de Moura Brizola, mais conhecido pelo nome de um líder revolucionario maragato do qual ele adotou o nome, Leonel Brizola um dos maiores políticos da história da nação brasileira. Homem de destacável coragem enfrentou militares, políticos reacionários, desmascarou mentiras impostas pela mídia, lutou a favor da liberdade e contra a corrupção.
Fundador do Partido Democrático Trabalhista (PDT), Leonel Brizola foi o único na história da politica nacional a ser governador em dois estados, primeiro no Rio Grande do Sul e posteriormente no Rio de Janeiro onde desmascarou uma fraude em que envolvia políticos “milícos” apoiodos pela ação manipuladora da então “filhotinha da ditadura” a Rede Globo, liderada pelo jornalista Roberto Marinho. A Fraude consistia em distorcer as pesquisas eleitorais em favor do candidato de oposição à Brizola e depois manipular a apuração dos votos. Um vergonha que Leonel desmascarou com enorme dignidade.
Támbem lutou bravamente para que forças reacionárias não tomassem o poder após e renúncia de Jânio Quadros, garantindo que o então vice-presidente João Goulart assumisse o cargo da presidência por direito, episódio este conhecido como Campanha da Legalidade.
Brizola não tinha medo, enfrentava o que fosse preciso em prol da liberdade, do trabalhismo, sempre visando o bem estar do povo brasileiro. Criou milhares de escolas em todo país e colocou a educação como uma das principais bandeiras para o desenvolvimento de um país. “Todas as crianças deveriam ter direito à escola, mas para aprender devem estar bem nutridas. Sem a preparação do ser humano, não há desenvolvimento. A violência é fruto da falta de educação”.
Numa de suas entrevistas à uma reporter da rede globo que o abortou e irônicamente para perguntar se era verdade que ele havia fugido do país no anos da ditadura vestido de mulher; ele vendo que aquilo era pura gozação com a sua cara responde sem rodeios “Sim, e quem me emprestou a calcinha foi sua mãe”.
Um grande homem, um grande político apoiado até por quem ele não apoiava. “A opinião do senhor Brizola sobre nosso apoio é irrelevante. Nós vamos apoiar o melhor candidato, e o melhor candidato é ele.” (Frase dita por Luís Carlos Prestes, secretário do Partido Comunista Brasileiro – PCB ao saber que Brizola não queria seu apoio na candidatura ao governo do RS).
Estaria ele completando 89 anos.
Sua pessoa infelizmente não se faz mais presente entre nós, mas sua partida não foi eterna pois aqui deixou seu ideal. Sua aspiração pela educação, pela dignidade, pelo desenvolvimento do Brasil e do povo brasileiro ainda se faz presente. Parabéns Leonel! Resta que mantemos a chama acesa, pois “BRIZOLA VIVE!"

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Ninguém vai morar em área de risco porque quer ou porque é burro

Na terça-feira dia 14/01 ,a arquiteta e professora da USP Raquel Rolnik participou do Jornal da TV Cultura, o foco do programa era a discussão sobre o problema das chuvas que atingem várias regiões do nosso país neste período do ano. Depois da apresentação de uma reportagem que mostrava deslizamentos de encostas e perdas de vidas em várias cidades, a primeira pergunta do apresentador Heródoto Barbeiro para os convidados foi: “isso tem solução?”

Abaixo colocarei a resposta da professora Raquel Rolnik, pois na minha opinião a mesma resume a situação vivida pela população em resposta as medidas governamentais estapafúrdias que permitem que ano após ano as catástrofes climáticas se repitam apenas tendo o seu palco de atuação mudado:

“Tem solução, sim. Evidentemente algumas medidas são paliativas. Há formas de intervenção para melhorar a estabilidade dos terrenos, drenar melhor a água, conter encostas, ou seja, melhorar a condição de segurança e a gestão do lugar para que, mesmo numa situação de risco, se possam evitar mortes.

Mas a questão de fundo é que ninguém vai morar numa área de risco porque quer ou porque é burro. As pessoas vão morar numa área de risco porque não têm nenhuma opção para a renda que possuem. Estamos falando de trabalhadores cujo rendimento não possibilita a compra ou aluguel de uma moradia num local adequado. E isso se repete em todas as cidades e regiões metropolitanas.

Não adiantam nada as obras paliativas aqui e ali se não tocarmos nesse ponto fundamental que é: quais são os locais adequados, ou seja, fora das áreas de risco, que serão abertos ou disponibilizados para que a população de menor renda possa morar?”.

Quem quiser assistir a edição completa do telejornal, pode acessar o site da TV Cultura no seguinte link: http://www.tvcultura.com.br/jornal-da-cultura/programa/jc20110111

Fonte: Blog da Raquel Rolnik

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Uma breve sobre a situação no Rio




O Rio de Janeiro é a segunda maior cidade do país, com aproximadamente 6,2 milhões de habitantes. A histórica metrópole, que foi capital do Brasil de 1763 até 1960, é também o principal destino de turistas estrangeiros. Desta forma, a mesma funciona como uma espécie de "vitrine" do país para o mundo.

A violência urbana na cidade é associada ao tráfico de drogas. De acordo com dados de 2008 do Ministério da Justiça, o
Rio de Janeiro é o quinto estado brasileiro com maior taxa de homicídios, com 33 mortes para cada grupo de 100 mil habitantes, ficando atrás de Alagoas (66,2), Espírito Santo (56,7), Pernambuco (48,5) e Pará (39,8).

Por outro lado, possui, de longe, a polícia que mais mata. Em 2008, foram 1.137 mortos em confrontos com a polícia, taxa sete vezes maior que qualquer outra região do país. Os gastos totais em segurança somam 12% do orçamento do Estado, quase o dobro de
São Paulo (7,4%) e pouco menor que o de Minas Gerais (12,5%).

Mas o tráfico, por si só, não justifica o alto í
ndice de criminalidade. Praticamente todas as grandes metrópoles do mundo possuem comércio ilegal de drogas. Se estima que o mercado consumidor de cocaína em Nova York, por exemplo, seja duas vezes maior que o Rio. A diferença é que nem a cidade americana nem outras europeias testemunham quase que diariamente cenas de guerra nas ruas, como acontece no Rio. A resposta para esse paradigma é que, no Rio, facções armadas travam lutas pelo controle de territórios, favorecidas por uma rede de corrupção e pelo descaso histórico do poder público em relação às favelas nos morros cariocas.

As favelas dos morros cariocas desempenharam uma função estratégica para os traficantes. Elas cresceram durante os anos 1960, quando o Rio viveu um processo de rápida urbanização e migração, sem que houvesse um planejamento econômico para atender a população. Em troca do silêncio dos moradores, os traficantes mantém a ordem e praticam o assistencialismo nos morros, distribuindo produtos como remédios e cestas básicas, além de promoverem festas e bailes funk.

Outro componente importante na engrenagem do tráfico é a corrupção de órgãos do governo e instituições privadas. Os maiores líderes das facções, estão em presídios de segurança máxima, de onde ainda controlam o tráfico e outras atividades criminosas, por meio de aparelhos celulares e visitas de parentes e advogados. O dinheiro do tráfico financia desde a proteção de policiais e conivência de agentes penitenciários até a compra de sentenças de juízes. Eles possuem contatos e influência junto a governos, empresas e instituições bancárias, para conseguirem lavar o dinheiro resultante do comércio ilícito de drogas, estima-se que somente 20% da cocaína que chega ao Rio abasteça o mercado interno, a maior parte tem como destino a Europa.

Para os últimos confrontos, a cidade do Rio recebeu na ultima sexta-fera o reforço das Forças Armadas Brasileiras, o que me faz concordar em partes com essa situação. O Exército deveria participar? Deve sim participar, mas não pra fazer o trabalho policial, pois o mesmo não existe pra isso e nem é treinado para isso e nem está equipado para isso. O mesmo deveria começar pelo controle de fluxo de armas no país, isso resolveria o problema da circulação de armas ilegais no país de mão em mão com incentivos da banda podre da policia. Assim como a marinha deveria participar formando uma guarda costeira com foco no controle no transporte de cargas clandestinas, elas de saída ou de chegada, e também a Aeronáutica, identificando e destruindo pistas de pouso clandestinas, controlando o espaço aéreo e apoiando a ação da Policia Federal na fiscalização nos aeroportos brasileiros. O governardor Sérgio Cabral Filho (PMDB), anunciou a instalação das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) do Complexo do Alemão e da Vila Cruzeiro, na zona norte, para 2011e confirmou que o Exército vai permanecer no Complexo do Alemão e na Vila Cruzeiro até julho de 2011, as tropas federais substituirão as Polícias Civil e Militar nas duas comunidades ocupadas. No entanto há um grande receio do comando das Forças Armadas, de que a duração da missão, somada ao novo perfil de operação nos morros, coloque os militares em contato íntimo com o narcotráfico, o que poderia contaminar setores do Exército. Nesse período de quase oito meses, o efetivo de 800 homens do Exército deverá ser mantido

Outra pergunta que surge com o cenário deplorável é a de que se conseguiremos realizar com êxito a Copa e as Olimpíadas, quanto a isso acho não haver duvidas, com certeza os eventos serão os melhores possíveis, o problema é o dia a dia e o que estes eventos deixarão de legado positivo para mudar esse cenário do dia a dia carioca.

O tráfico só se impôs, no Rio, no modelo territorializado e sedentário em que se estabeleceu, porque sempre contou com a sociedade da polícia, vale deixar claro. Enquanto o tráfico de drogas nesse modelo territorializado começa a bater em retirada após atingir seu ponto de inflexão, a parte podre da policia prossegue forte, firme, empreendedora, politicamente ambiciosa e com sede econômica. A mídia tem esquecido e ignorado o fato de como será feita uma reforma na policia no Rio, para que as mesmas deixem de ser incubadoras de milícias, tráficos de armas e drogas, máfias, brutalidade, crime violento e corrupção. As polícias de fato são instituições absolutamente fundamentais para o Estado democrático de direito. Cabe a elas garantir, na prática, os direitos e as liberdades estipulados na Constituição. Na ultima quinta-feira dia 25 de novembro o JN fez questão de exaltar as cenas de guerra e morte, pânico e desespero, como um dia histórico de vitória pela ocupação da Vila Cruzeiro pelos policiais, o que deixou claro que os mesmo se sentiram autorizados a não levar a sério a tragédia da insegurança pública no Brasil, e tratar milhões de telespectadores como contumazes e incorrigíveis idiotas. Como diria Luiz Eduardo Soares : “será pelo menos mais digno furtar-se a fazer coro à farsa.”

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Dilma é eleita e dá o TRI ao PT


Nascida em 14 de dezembro de 1947 em Belo Horizonte, Minas gerais. A ex ministra de Minas e Energia e ex ministra chefe da Casa Civil durante o governo Lula, Dilma Rousseff, será a 36º pessoa e a primeira mulher a assumir o cargo de presidente na história do País. A maioria dos brasileiros decidiu pela continuidade do governo Lula. Ele será sucedido por aquela que coordenou seu ministério nos últimos anos e que foi escolhida candidata pelo próprio presidente, neste domingo 31 de outubro, Dilma Rousseff foi eleita com 56,05% dos votos válidos ou 55.752.508 votos contra 43,95% ou 43.711.350 votos de José Serra.

Para se eleger, Dilma e seus concorrentes, nos proporcionaram a campanha eleitoral mais nefasta do Brasil pós-ditadura. A mesma insistiu que lutou contra uma grande aliança que uniu seu maior adversário aos principais grupos de comunicação do País. E também respondeu a uma pauta de discussões que ultrapassou os limites do conservadorismo – a religião, o aborto e o casamento gay, tomaram um espaço que jamais poderia ter ocupado numa eleição de um país democrático, o que era pra ser irrelevante tomou ares de fulminante.

A guerra eleitoral foi grande – Uma campanha eleitoral é sempre uma guerra. O campo de batalha é a mente do eleitor. Dilma também teve que superar a taxação de “marionete de Lula” e também a associação da sua imagem com a de uma terorrista, devido o seu envolvimento em lutas no período de ditadura militar. Sem falar na questão Erenice Guerra, que após substituir Dilma no comando da Casa Civil por indicação da mesma, renunciou ao cargo seis meses depois de assumi-lo devido a denuncias de corrupção.

Na reta final Dilma contou com a sorte, e em 2010, Serra bem que tentou superar as pesquisas eleitorais que sempre deram a sua adversária como vencedora, fazendo propostas fantasiosas para o salário mínimo, a previdência, o Bolsa Família, me arrisco a dizer que no auge de sua experiência foi um amadorismo desesperado, pois é visível que a própria previdência social é uma bomba relógio para a economia brasileira. A multipolaridade de Serra tem origem nesta mudança estrutural na correlação de forças no Brasil. Serra amanhecia Opus Dei e dormia apoiando o que o “Lula tem de bom”. Iniciava o dia com um discurso do DEM e terminava a noite com “Serra é do bem”. Ao longo do dia apresentava entre a extrema-direita e a centro-esquerda o que lhe rendeu a taxação de “mil caras”.

Há vários pontos que podem ser colocados como protagonistas da vitória da Dilma, equivocadamente ou não, cabendo a cada eleitor julgar. Por exemplo, creditar a vitória dela como decorrência do “paternalismo” e do “assistencialismo” como fruto do Bolsa Família. Esses são os que crêem que Lula comprou o povo com meia dúzia de benefícios. Dilma enfrentará uma verdadeira batalha pra mostrar que o velho argumento de que o “povo não sabe votar” e de que foi a barriga cheia que elegeu Dilma. Ou do argumento de que foram o atraso e a ignorância da maioria que fizeram com que ela vencesse. Ou de que a pessoa que recebe o benefício de um programa público se escraviza, está completamente ERRADO e EQUIVOCADO e que seu governo será revolucionário.

Dilma vai ter que se aproximar de um governo mais pragmático, mais ordenado, com menos gastança, e também terá de provocar um afastamento do presidente Lula caso ele tente exercer uma influência exagerada. Nesse ponto Serra já teria experiência administrativa suficiente para que o seu governo tivesse independência em relação ao legado do governo do FHC. O governo de Dilma não começará do zero, e ela muito menos vai ignorar um patrimônio de experiência de um governo do qual ela participou, o compromisso dela é dar sequência ao trabalho e continuar com as “mudanças” do lulismo.

Em seu primeiro pronunciamento oficial, Dilma passou pelos pontos no qual sua campanha foi mais atacada, fazendo entre outras as seguintes declarações : "prefiro o barulho da imprensa livre que o silêncio da ditadura"; "jamais perseguirei adversários ou protegerei amigos"; "estendo minha mão para a oposição."; "peço o apoio de todos para o trabalho pela erradicação da miséria" ; "reforço compromisso pela erradicação da miséria"; "vou zelar pela mais ampla liberdade de imprensa e de culto religioso". Pra quem acompanhou a corrida presidencial, essas declarações já são suficientes para entender a importância que Dilma deu ao esclarecimento dos fatos de que foi duramente acusada.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Não sei se tu me amas, pra que tu me seduz?


Tiririca ficou conhecido nacionalmente pela música Florentina, lançada em 1996 pela Sony Music, após vender cerca de mil cópias de um CD independente na Bahia e em Pernambuco, financiado pelos próprios amigos. Naquela época, o palhaço emplacou a canção exaustivamente nas rádios e nos programas de auditório com o refrão “Florentina de Jesus, não sei se tu me amas, pra que tu me seduz?”, e chegou a ganhar um milagroso disco de ouro.

A carreira do humorista inclui ainda mais quatro álbuns e participações em programas de televisão. No auge de Florentina, ele protagonizou o humorístico A Vila do Tiririca, na já extinta TV Manchete. Antes de se lançar candidato, fez parte do elenco do Show do Tom, atração de Tom Cavalcante na Rede Record.

Neste domingo dia 3, Francisco Everardo Oliveira Silva, nome de batismo do palhaço cearense Tiririca, de 45 anos, teve 1.353.820 milhões de votos totalizando 6,35% do total de votos do estado de São Paulo, ele conseguiu quase o triplo de votos do segundo colocado no estado, e quase o dobro de votos do segundo colocado no Brasil. Em toda a história, o deputado mais votado foi Eneás, do Prona, com 1.573.642 milhões de votos na eleição de 2002. Com o slogan “Pior que tá não fica”, e sem conseguir discorrer sobre sua plataforma política, Tiririca do Partido da República foi o candidato a deputado federal mais votado do Brasil nas eleições 2010.

A grande quantidade de votos conseguida por Tiririca, fez com que outros postulantes, com números inexpressivos, fossem eleitos puxados pelo humorista por causa do quociente eleitoral que é a soma dos votos da legenda e dos candidatos dividida pelas vagas de cada estado. Este número determina a quantidade de votos que um deputado precisa para se eleger, e o excedente é distribuído entre outros candidatos do partido e chapas coligadas. Ao ser eleito, Tiririca garantiu cadeira em Brasília à mais ou menos 6 candidatos, entre eles estão o delegado Protógenes Queiroz (PCdoB), Otoniel Lima (PRB) e Vanderlei Siraque (PT).

A propaganda eleitoral de Tiririca chamou atenção. Vestido de palhaço, ele apareceu entoando frases do tipo: "O que é que faz um deputado federal? Na realidade, eu não sei. Mas vote em mim que eu te conto", “vote no abestado” e “estou aqui para pedir seu voto porque eu quero ser deputado federal para ajudar os mais 'necessitado', inclusive a minha família”. O candidato a governador de São Paulo pelo PT, Aloizio Mercadante, não achou graça. Assumiu o desconforto e mandou tirar sua imagem da propaganda do humorista.


Mas nem só de piadas foi feita a campanha. O humorista foi denunciado pelo Ministério Público Eleitoral por falsidade ideológica. No pedido de registro da candidatura, Tiririca declarou não ter bens em seu nome. Porém, em entrevista à revista Veja, disse que o patrimônio havia sido transferido para terceiros por conta de processos trabalhistas, de alimentos e partilhas de bens movidos pela ex-mulher, que tramitam no Ceará.O MPE também denunciou o candidato por analfabetismo. Mas o juiz eleitoral Aloísio Sérgio Rezende Silveira rejeitou o pedido, argumentando que “a legislação eleitoral, desde a Constituição Federal até os atos infralegais, não exige que os candidatos possuam mediano ou elevado grau de instrução, mas apenas que tenham noções rudimentares da linguagem pátria”. Ainda cabe contestação. Caso seja provado o analfabetismo, o palhaço poderá ter o mandato cassado. Numa visão geral, a grande quantidade de votos recebida por Francisco pode ter em uma de suas justificativas a maneira como a população encarou essa eleição. O cenário politico brasileiro foi e tem sido bastante desgastado com os escandalos de picaretagem envolvendo partidos e politicos, não conseguimos passar um ano sem que não se descubra as ações de alguma quadrilha politica de grande âmbito estadual e federal, a cena é triste pra não dizer humilhante, o circo que tem se tornado Brasília pelomenos agora tem alguém do ramo que ao menos pode dar mais sincronismo aos demais palhaços politicos presentes no circo Brasil.

sábado, 11 de setembro de 2010

Si vis pacem...


O atentado terrorista contra as torres gêmeas do World Trade Center em Nova York, as guerras no Afeganistão e no Iraque, duas guerras ainda inconclusas mas, de fato, perdidas pelos Estados Unidos, a crise imobiliária, a insolvência do Lehman Brothers e a debacle do sistema financeiro dos Estados Unidos e a crise econômica e financeira que abala a União Européia marcaram a primeira década do século XXI. Em meio a tais acontecimentos, o Brasil emergiu não apenas como potência econômica, mas também como potência política global, ao lado de Rússia, Índia e China, o grupo denominado BRIC, que tende a mudar a correlação de forças na ordem internacional. Esse status foi alcançado, sobretudo, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o premier da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, firmaram um acordo com o presidente Mahmoud Ahmadinejad sobre a questão do urânio enriquecido pelo Irã, significativo êxito diplomático, resultante de negociações previamente efetuadas pelo embaixador Celso Amorim, considerado o melhor ministro de relações exteriores na atualidade por David Rothkopf, integrante Conselho de Relações Exteriores dos Estados Unidos, em artigo publicado pela revista Foreign Policy. O acordo atendeu a todas as solicitações que os Estados Unidos haviam feito ao Irã e o presidente Barack Obama informou detalhadamente ao presidente Lula da Silva, em carta datada de 20 de Abril, três semanas antes de sua viagem a Teerã, que o Irã aceitou transferir seus 1,2 mil quilos de urânio enriquecido, no início do processo, a um terceiro país - especificamente a Turquia - onde seria armazenado como caução durante o processo de produção do combustível. A consecução desse acordo, que talvez Obama não esperasse, colocou seu governo em uma situação muito difícil. Independentemente do perigo representado tanto pelo fundamentalismo religioso, cristão ou judaico, o que os Estados Unidos pretendem, uma vez descartada a opção militar, é derrocar Ahmadinejad e o regime xiita, com novas sanções que possam entravar o desenvolvimento do Irã, evitar que represente qualquer ameaça a Israel e/ou Árabia Saudita, e possa exercer maior influência sobre o o governo do Iraque, também xiita, após a retirada da maior parte de sua tropas nos próximos anos.

O Brasil, contrapondo-se a tais sanções, está a defender seus próprios interesses nacionais. Das quatro potências que emergem e se inserem no jogo internacional do poder - Rússia, Índia, China e Brasil - é a única que não dispõe de armamentos nucleares, embora pudesse produzi-los, se quisesse pois, desde de 1987, domina o ciclo completo da tecnologia de enriquecimento de urânio, com uma proporção maior do isótopo 235 do que ocorre no urânio natural. Não conseguiu esse sucesso sem defrontar-se, durante quatro décadas, com implácavel e sistemática oposição dos Estados Unidos.

Em 1953-1954, quando o governo de Getúlio Vargas encomendou aos cientistas alemães Wilhem Groth, Konrad Beyerle e Oto Hahn, responsável pelo fissão nuclear, três ultracentrífugas para instalar no Brasil uma usina de separação de isótopos ou produação de urânio enriquecido, a CIA descobriu e o brigadeiro inglês Harvey Smith, do Military Board Security, em Hamburgo, por ordem expressa do alto comissário americano, professor James Conant, impediu o embarque para o Brasil das peças dos equipamentos fabricadas secretamente na Alemanha. O vice-presidente João Café Filho (1954-1955), assumindo o governo com o suicídio de Getúlio Vargas (24 de Agosto de 1954), promoveu a revisão da política brasileira de energia nuclear em consonância com a embaixada dos EUA, que qualificou o projeto das ultracentrífugas como "aventura germânica" e considerou "o estabelecimento no Brasil, de um processo para a extração do urânio físsil, por meio de importantes organizações de um país europeu (...) uma ameça potencial à segurança dos Estados Unidos e do Hemisfério Ocidental". O projeto foi completamente obstrúido.
 
Em 1967, o governo militar, sob comando de Arthur da Costa e Silva, anunciou que adotaria uma política independente de desenvolvimento da energia nuclear. Os EUA reagiram com nova ameaças. E o dissídio agravou-se ainda mais após a Alemanha, em 27 de Junho de 1975, firmar com o Brasil o Acordo de Cooperação para Usos Pacíficos da Energia Nuclear, visando transferi-lhe todo ciclo de geração de energia nuclear, desde a pesquisa e lavra do urânio até o enriquecimento do mesmo pelo processo de jato centrífugo (jet nozzle), ainda em fase de experimentação, bem como de uma fábrica de reatores, a ser construída em Sepetiba (Rio de Janeiro), cuja produção, com início calculado para o fim de 1979, possibilitaria a completa nacionalização dos equipamentos. Os EUA se opuseram duramente à sua execução e, em março de 1977, o presidente Jimmy Carter pressionou o Chase Manhattan Bank e o Eximbank para que suspendessem todos os financiamentos negociados com o Brasil,  até mesmo paralisou o fornecimento à Alemanha do serviço de enriquecimento de urânio. Quis compelir os dois paises a denunciarem ou reverem o Acordo Nuclear, com a introdução de salvaguardas complementares (comprehensive salvaguards) semelhantes às estabelecidas pelo Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares (TNP), e a exclusão da usina de enriquecimento do urânio e reprocessamento do combustível.
 
As Forças Armadas não se conformaram com as salvaguardas impostas pela Agência Internacional de Energia Atômica (Aeia). Daí que, fora de seu controle, empreenderam, a partir de 1970, o Programa Nuclear Paralelo, de modo que pudessem desenvolver tecnologias de separação de isótopos, inclusive por meio de raios laser e por processamento químico. E, conquanto constasse do texto não secreto do Acordo Nuclear que o processo de ennriquecimento do urânio seria de jatos cruzados, o Brasil importou a tecnologia da ultracentrifugação, por intermédio dos técnicos e cientistas brasileiros que foram treinar nos centros de pesquisa de Jülich e Karlsruhe, bem como na própria Siemens, na Alemanha, posto que não estavam sujeitos as salvaguardas do Aeia. E, em setembro de 1987, o presidente José Sarney (1985 - 1990), anunciou oficialmente que o Brasil havia alcançado o completo domínio da tecnologia do enriquecimento do urânio pelo processo de ultracentrifugação.
 
O Brasil sempre se recusou a aderir ao TNP, cujo caráter discriminatório implicava o reconhecimento do status das cinco potencias nucleares, na medida em que congelava o poder mundial, legitimando uma ordem internacional baseada no desequilibrio de direitos e obrigações entre os Estados. Contudo, Fernando Collor de Mello envergou-se, prestou vassalagem aos Estados Unidos, e o Brasil começou a capitular ao subscrever integralmente o Tratado de Tletelolco, sem as ressalvas sobre as explosões atômicas para fins pacíficos. Em 1997, Fernando Henrique Cardoso completou a capitulação. Reverteu uma diretriz de política exterior, mantida inalterável ao longo de 29 anos, e sebmetendo o País ao TNP.
 
Não obstante, o Brasil ainda continua a sofrer restrições à aquisição de materiais nucleares no exterior. E os Estados Unidos e as demais potências europeias voltaram a renovar pressões, inclusive com desinformações plantadas na imprensa de vários países, para que submeta suas instalações nucleares às inspeções intrusivas da Aeia. Em 2004, o Times já havia recomendado que os EUA "tomassem cuidado com o Brasil" e, no mesmo dia, um ex-funcionário do Pentágono propalou que a Aeia suspeitava que ele adquirira do cientista paquistanês Abdul Qadeer Khan, então acusado com envolvimento com o programa nuclear do Irã e da Coréia do Norte, equipamentos para ultracentrifuga de urânio. Tais intrigas configuravam uma guerra psicológica, com a intenção de criar um clima negativo contra o Brasil e forçá-lo a permitir inspeções mais profundas, livre intrusão, a qualquer hora e sem aviso prévio, em todas as suas instalações nucleares. Mais recentemente, em 2010, o ex-chefe do Estado-Maior de Planejamento do Ministério da Defesa da Alemanha, Hans Rühle, escreveu um artigo, publicado na revista Der Spiegel, no qual atribuiu a oposição do Brasil às sanções que os Estados Unidos pretendem impor ao Irã ao fato de estar, provavelmente, fabricando a bomba atômica. Outros orgãos da imprensa alemã também disseminaram a mesma intriga.
 
Trata-se outra vez de uma campanha de guerra psicológica, com mesmo objetivo de compelir o Brasil a aceitar o Protocolo Adicional aos Acordos de Salvaguarda com a Aiea. Se o Brasil o fizer, os inspetores dessa agência da ONU, vinculados de um modo ou de outro aos EUA e às demais potências, estarão autorizados a devassar, sem aviso prévio, qualquer instalação de sua indústria nuclear, tais como as fábricas de ultracentrífugas, a Fábrica de Combustível Nuclear de Resende (Rio de Janeiro), o Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares em São Paulo, e o Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear (CDTN), em Minas Gerais, entre outras unidades. Terão assim a possibilidade de conhecer todos os segredos, de qualquer máquina, de suas partes e dos métodos de sua fabricação, inclusive do submarino nuclear. 

O objetivo não é apenas político e geopolítico, por causa da construção do submarino de propulsão nuclear. É também econômico. O Brasil possui atualmente a sexta maior reserva de urânio, com 309 mil toneladas, porém, apenas 30% do território nacional foi prospectado até o início de 2009 e a estimativa é de que ainda haja mais de 800 mil toneladas, o que a tornará uma das duas maiores do mundo.

Em tais circunstâncias, com a capacidade de enriquecer o urânio em escala comercial, será autônomo na produção do combustível nuclear e poderá exportá-lo para outros países. Assim, a disseminação da suspeita sobre a construção da bomba atômica pode eventualmente criar o clima que permita aos Estados Unidos e aos seus aliados ameaçá-lo com sanções, se não abrir plenamente suas instalações nucleares aos inspetores da Aeia. E, com o vazamento do segredo tecnológico da ultracentrífuga que desenvolveu, com importantes diferenciais em relação à de outros países, o Brasil perderá a competitividade científica, técnica, comercial e industrial, e seus esforços de capacitação nuclear poderão ser obstaculizados pelas grandes potências, empenhadas em manter o oligopólio não só militar, como também civil, existente no mercado mundial.
 
A Constituição e os diversos atos internacionais, inclusive o TNP, não permitem ao Brasil produzir a bomba atômica. É, entretanto, necessário, fundamental e premente fortalecer sua defesa e modernizar e reequipar suas Forças Armadas. É sobre a defesa que se sustenta a soberania, a "grande muralha da pátria", como a definiu o notável jurista e
diplomata Rui Barbosa, ao defender o princípio da igualdade entre os Estados na Assembleia de Haia em 1907.
 
Com toda a razão, Eduardo Pradom, autor de A Ilusão Americana, obra publicada em 1893, ressaltou que "não se toma a sério a lei das nações, senão entre as potências cujas forças se equilibram". E como o único direito que não prescreve é o da força - acrescentou. Os juristas universalmente reconhecidos são Armstrong, Bange e Krupp, grandes fabricantes de armamentos nos fins do século XIX. Essa lição deve pautar a estratégia nacional de segurança e defesa. O Brasil está potencialmente cercado. Os EUA operam um total de sete bases militares na Colômbia: Malambo, Atlântico; Palanquero, no Magdalena Medio; Apiay, Meta; as bases navais de Cartagena e o Pacífico, bem como o centro de treinamento de Tolemaida e a base do Exército de Larandia, no Caquetá. Suas tropas estão assentadas na Amazônia, fronteira do Brasil, enquanto a IV Frota navega no Atlântico Sul, à margem das enormes jazidas de petróleo descobertas nas camadas do pré-sal, em águas profundas, entre Espírito Santo e Santa Catarina.
 
O Brasil tem de estar preparado para enfrentar, em nível tanto diplomático quanto militar, os imensos desafios que se delineiam no século XXI, a "era dos gigantes", como o embaixador Samuel Pinheiro Guimarães denominou esta quadra em que os grande espaços econômicos e geopolíticos serão os principais atores da política internacional. "Si vis pacem, para bellum"¹.

¹ "Se queres a paz, prepara-te para a guerra." - Publius Flavius Vegetius Renatus

sábado, 4 de setembro de 2010

A Ascenção do Candidato Nulo


Dia 3 de Outubro o Brasil irá usar as urnas para dizer quem ele quer nas rédeas do caminho do país pelos próximos quatro anos e, em meio a aprendizes de feiticeiro das massas, projéteis de vampiros e admiradores de Obama enrustidos, um candidato misterioso vem ganhando um pouco mais de espaço. Ele está sendo votado desde a primeira eleição democrática no Brasil pós-ditadura e neste ano de 2010 ele atingiu a maior marca de intenção de voto desde então. Conheçam o candidato Nulo.
 
Neste ano de 2010, a intenção de voto nulo nas eleições presidenciais chegou a 4%. Não é um numero expressivo, mas já é algo. Há duas prováveis explicações para esta ascenção: A circulação de um e-mail sobre o voto nulo, convencendo as pessoas a anularem seus votos, ou que realmente, mesmo que pequena, a população brasileira está finalmente criando coragem na cara para reclamar dos candidatos que lhes são apresentados.
 
O e-mail que anda circulando pela internet, e também websites, estão estimulando a população a anularem seus votos, usando um erro na interpretação na lei eleitoral. Não é possível dizer que este erro de interpretação seja com más intenções, mas sim, talvez, injenuidade, um sentimento de estimular uma mudança neste país de máfia política enrustida. O argumento usa do seguinte trecho da lei:
 
“Se a nulidade atingir a mais de metade dos votos do país nas eleições presidenciais, do estado nas eleições federais e estaduais, ou do município nas eleições municipais, julgar-se-ão prejudicadas as demais votações, e o Tribunal marcará dia para nova eleição dentro do prazo de 20 (vinte) a 40 (quarenta) dias.” (Fonte: Código civil)

Infelizmente, apenas aparenta que caso metade da população brasileira vote nulo, novas eleições com novos candidatos seriam convocadas. Mas, na verdade, a lei se refere a nulidade dos votos. Ou seja: um candidato ter seus votos anulados, perante crimes eleitorais. Votos nulos são diferentes: como o nome diz, são nulos, ou em outros termos, invalidos. Caso metade do país votasse nulo, o que validaria as eleições seria a metade restante. Exemplificando: Nulo: 50%, Candidato 1: 20%, Candidato 2: 30%. Quem venceria seria Candidato 2, segundo as leis eleitorais. O voto nulo é realmente nulo, não vale absolutamente nada.

O Brasil vive uma triste realidade eleitoral onde os eleitores têm de escolher entre o ruim e o péssimo, e não existe fuga, apenas o desencargo de consciência de ter votado em ninguém. Nestas horas vem a nostalgia da juventude cara pintada, preocupados com a política, enquanto hoje temos apenas a juventude “calça pintada”. Infelizmente, o voto nulo é um protesto silêncio e ineficaz.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Já eleita, Dilma Rousseff pode não ter a mesma sorte de Lula

Lula teve sorte de suceder este homem.
NUMA ENTREVISTA À FOLHA de hoje, um economista de Harvard faz uma reflexão primorosa e desapaixonada sobre o Brasil.

Lula, diz ele, teve a sorte de suceder um presidente excelente. Dilma não terá a mesma sorte.

Fernando Henrique, a quem a posteridade haverá de conceder a merecida estatura na história brasileira, fez o Plano Real, que recolocou o Brasil no mapa do mundo. Ali, encerrava-se o ciclo de planos econômicos mirabolantes que tinham tornado o país motivo de chacota. Mudava-se a moeda, tiravam-se os zeros, tabelavam-se os preços — e em tempo recorde tudo estava como antes. Ou pior.

Sem estabilidade a vida de um país é ruim, bem como a de seus cidadãos. Os mais jovens não sabem o que é ter que aplicar no mesmo dia o dinheiro do salário porque no dia seguinte a inflação já teria comido uma parte. Quem tirou esse pesadelo da rotina dos brasileiros foi Fernando Henrique Cardoso. Ele teve um gigante ao lado na economia, Pedro Malan. Malan teria sido o nome ideal para continuar a obra de Fernando Henrique. Mas tinha a virtude de não ter os defeitos dos políticos, e por isso suas chances de suceder Fernando Henrique foram trucidadas por Serra no interior do PSDB.

O melhor que Lula fez foi não fazer nada. Se se deixasse levar pelos remanescentes da Guerra Fria que dominavam o PT, a começar por Zé Dirceu e continuando pela própria Dilma, estaríamos de novo esperando alguns anos para comprar um aparelho de telefone das estatais. Nosso dinheiro também seria torrado por bancos públicos como o Banespa, dominados por políticos com escassa preocupação pelo bem público.

Lula não fez nada que ameaçasse a estabilidade. A grande dúvida é se não foi um Chávez em grande escala por convicção ou por temer que fosse derrubado caso seguisse a cartilha do velho PT.

Mesmo a relativa tranquilidade com que o Brasil se houve na crise financeira foi mérito muito mais de FHC do que de Lula. Quem plantou um sistema financeiro forte foi a gestão anterior, num plano que foi massacrado demagogicamente pelo PT como uma proteção para os banqueiros. Era o Proer, que varreu bancos que estavam à beira de quebrar e gerar pânico entre seus correntistas. Houve aí uma consolidação financeira que deu a Lula tranquilidade quando ele mais precisou de solidez nos bancos, no momento em que colossos caíam no mundo desenvolvido.

A biografia preciosa de FHC foi parcialmente manchada, pós-presidência, pela mala vermelha com a qual ele tanto viajou para fazer palestras milionárias. Nelas ganhava numa ou duas horas o que levava um ano para levantar como presidente da República. É aquele tipo de coisa que não é ilegal sem ser defensável moralmente. Entre os britânicos, Tony Blair é desprezado pela sede com que se atirou às palestras depois de deixar Downing Street. Recentemente, ele doou o adiantamento calculado em 4,6 milhões de libras que recebeu por um livro de memórias. Esse dinheiro vai para os soldados britânicos feridos na Guerra do Afeganistão. Um dos comentários mais amenos sobre esse gesto — mais de marketing do que de filantropia — foi que finalmente Blair fazia alguma coisa que prestasse.

FHC deve ter cruzado em algum momento com Blair no circuito internacional de palestras.

Mas é tão grande sua obra na reconstrução do Brasil que este pecadilho da ganância fica pequeno diante do resto.

matéria retirada do diariodocentrodomundo.com.br

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Hitler, um fugitivo na Argentina depois da guerra?

A Argentina pode ter sido o destino de Adolf Hitler depois que Berlim caiu em poder dos russos em abril de 1945. É o que diz a pesquisa de um jornalista de Buenos Aires que tenta recriar a vida do ditador nazista no pós-Segunda Guerra Mundial.

O jornalista Abel Basti está convencido de que Hitler fugiu da Alemanha graças a um pacto secreto entre Washington e Berlim. Ao Lado uma fotografia cedida pelo jornalista argentino Abel Basti sustentando um exemplar de seu livro “Hitler en Argentina”.

O destino de Adolf Hitler em meados de 1945, quando a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) chegava ao seu fim, continua sendo um dos mistérios da história contemporânea. Muitos pesquisadores consideram que o suicídio do líder nazista foi "uma magnífica fraude" planejada detalhadamente.

A versão oficial diz que Hitler desistiu de fugir de Berlim apesar das sugestões de seus mais leais colaboradores e se suicidou em 30 de abril de 1945 com um tiro junto com sua amante, Eva Braun, no gigantesco bunker que os alemães construíram sob o edifício da Chancelaria, a mais de dez metros de profundidade.
Esta história, por décadas repetida como certa, se sustenta principalmente na reconstituição feita pelo major britânico Hugh Trevor-Roper, que em 1945, após a rendição da Alemanha e o iminente início do julgamento de Nuremberg, foi incumbido de investigar se o líder do Terceiro Reich realmente tinha morrido.

Os resultados dessa investigação foram reunidos em um relatório que os aliados rapidamente consideraram como "definitivo" e que foi baseado fundamentalmente em depoimentos que Trevor-Roper recolheu entre os nazistas que acompanharam Hitler no que teriam sido suas últimas horas de vida.

O ditador nazista Adolf Hitler cumprimenta as tropas alemãs durante um desfile militar (à esquerda).

O jornalista Abel Basti, de 53 anos, há décadas tenta reconstruir as andanças dos nazistas na Argentina. Ele é um dos pesquisadores que creem que a versão de Trevor-Roper foi criada para dar um salvo-conduto ao chanceler alemão, visto no mapa geopolítico da época como um ator essencial na luta contra o comunismo no pós-guerra.

Basti está convencido de que Hitler fugiu da Alemanha graças a um pacto secreto entre Washington e Berlim, negociado pelas costas dos russos, que contemplava um plano de evacuação de hierarcas nazistas, tecnologia, documentos e divisas.
Para o jornalista, que vive na cidade de Bariloche, para onde dezenas de nazistas fugiram depois da Segunda Guerra Mundial, o 'führer' fugiu "sob um escudo protetor de setores de poder anglo-norte-americanos, os mesmos que o tinham financiado para que, de humilde pintor, chegasse a ser chanceler da Alemanha".

Em seu último livro, "El Exilio de Hitler" ("O Exílio de Hitler"), Abel Basti repassa minuciosamente o documento de Trevor-Roper e detalha como o líder do nazismo conseguiu fugir entre os escombros de uma Berlim a ponto de ser tomada pelo Exército Vermelho, que avançava arrasador a partir do leste.

Segundo a pesquisa do jornalista argentino, um dublê de Hitler, sedado e controlado permanentemente por um médico, chegou ao bunker no entardecer de 22 de abril de 1945.
Nesse dia, o verdadeiro Hitler e uma comitiva formada por oito pessoas, entre elas Eva Braun, voaram de helicóptero para o aeroporto austríaco de Hörsching, próximo à cidade de Linz.

Os alemães permaneceram quatro dias na Áustria. Em 26 de abril, foram de avião para Barcelona. Para sustentar esta hipótese, na contracapa de seu livro e em seu site "www.hitlerargentina.com.ar", Basti publica um documento secreto no qual Hitler aparece como o primeiro nome de uma lista de passageiros que viajaram para a Espanha em uma aeronave pilotada por Werner Baumbach, morto na Argentina em 1953.

Estátua de cera de Adolf Hitler no museu Madame Tussaud’s de Berlim


Sempre de acordo com a pesquisa de Basti, um comboio de submarinos nazistas partiu dias depois da Espanha rumo ao sul da Argentina, com o conhecimento da Igreja Católica e dos Estados Unidos.

Para Basti, Hitler e Eva Braun estavam em um desses submarinos e o casal teria desembarcado entre julho e agosto de 1945 na remota Patagônia argentina.

"É indubitável que Juan Domingo Perón abriu generosamente as portas aos nazistas e os protegeu, mas essa atitude não se limitou a seu Governo. Foi uma política de Estado até 1983", afirma Sergio Widder, representante para a América Latina do Centro Simon Wiesenthal.

De acordo com esta organização de defesa dos direitos humanos, cerca de 300 criminosos de guerra e milhares de colaboracionistas do Terceiro Reich chegaram à Argentina após a Segunda Guerra Mundial.

Este número supera largamente o de 180 criminosos calculado pela Comissão de Esclarecimento das Atividades do Nazismo na Argentina (Ceana), que fez uma investigação entre 1997 e 2005, depois que o Governo do ex-presidente argentino Carlos Menem permitiu a abertura dos arquivos oficiais.

No segundo de seus três livros, "Hitler en Argentina" ("Hitler na Argentina"), Basti arma o quebra-cabeças do roteiro do 'führer' no país e identifica duas residências: uma estadia próxima a Bariloche e uma mansão em Villa La Angostura que pertencia a um homem de confiança de Perón, situada às margens do lago Nahuel Huapi.

Nesta obra, o jornalista dedica um capítulo especial à província de Córdoba, na região central da Argentina, onde vivia o casal Walter e Ida Eichhorn, os principais financiadores de Hitler na América do Sul e que teriam recebido várias vezes o líder nazista, o qual chamavam de "primo", depois do fim da Segunda Guerra Mundial.

Basti não tem dúvidas de que a fuga de Hitler foi bem-sucedida e até se atreve a teorizar que o alemão, diante da evidência de uma Berlim em ruínas, planejou sua fuga convencido de que era necessário que o mundo o encontrasse morto porque a quebra da coalizão antinazista somente aconteceria quando ele desaparecesse de cena.

"Um Hitler fugitivo implicaria acusações de encobrimento a poderosos setores ocidentais. Pelo contrário, um Hitler que cometeu suicídio permitiria lavar a honra dos alemães e lhe garantiria impunidade absoluta, a impossibilidade de ser julgado em Nuremberg e a possibilidade de ressurgir algum dia das cinzas como líder de uma nova coalizão anticomunista", acrescenta.

Matéria retirada do noticias.msn.com

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Até que ponto as pesquisas eleitorais passam credibilidade ao eleitor?

O mundo é governado pelos números. Portanto, os mesmos governam as pesquisas que hoje são usadas para tentar governar as eleições.
Essa relação talvez explique o estrondo provocado pelo choque dos números divulgados pelos institutos Vox Populi e DataFolha, para a corrida eleitoral. Um apontou Dilma Roussef (PT) com 43% das intenções de voto contra 35% de José Serra (PSDB).O outro indicou empate técnico, quase numérico, no qual o tucano tem 37% e a petista 36%.
Um abismo de 9 pontos separa as pesquisas, sem considerar a margem de erro. Um contraste surpreendente mesmo diante do argumento de que o campo de apuração é diferente. É sim. Mas nem tanto.
O Vox Populi fez sondagem de 17 a 20 de julho; o DataFolha entre 20 e 23. Considerando que o dia 20 é comum a ambos, há seis dias distintos de trabalho de campo. Por que uma alteração tão rápida na opinião dos eleitores sem um fato no período?
Nos sete primeiros meses de 2010, os quatro maiores institutos do País – Ibope, Vox Populi, Sensus e DataFolha – realizaram 20 pesquisas nacionais registradas no TSE.

Os dados serão de Dilma Roussef e José Serra respectivamente:
DataFolha – 2
4-25 fev. 28% e 32%; 25-26 mar. 27% e 36%; 15-16 abr. 28% e 38%; 20-21 maio 37% e 37%; 30-1 jul. 38% e 39%; 20-23 jul 36% e 37%.
O instituto jamais apontou Dilma à frente de Serra. Concedeu apenas um empate numérico entre os dois em maio.

Ibope – 6-9 fev. 25% e 36%; 6-10 mar. 30% e 35%; 13-16 abr. 29% e 36%; 31-3 jun. 37% e 37%; 19-21 jun. 40% e 35%; 27-30 jun. 39% e 39%.
O instituto apontou Serra a frente em três pesquisas, dois empates e apenas vantagem de Dilma em uma pesquisa.

Vox Populi – 14-17 jan. 27% e 34%; 30-31 mar. 31% e 34%; 8-13 mai. 37% e 34%; 30 jun. 40% e 35%; 17-20 jul. 41% e 33%;
7-10 de ago. 45% e 29%.
O instituto apontou Serra a frente em duas pesquisas, e Dilma em quatro.

Sensus – 25-29 jan. 27,8% e 33,2%; 5-9 abr. 32,4% e 32,7%; 10-14 mai. 35,7% e 33,2%; 31-02 ago. 41,6% e 31,6%.
O instituto apontou um empate técnico, uma vitória à Serra e duas vitórias à Dilma.

Divergência em pesquisa não é fato incomum. Não dessa forma, contudo. Um confronto entre os quatro institutos ficou comprovado depois que um “racha” virou notícia após a última reunião da Associação Brasileira de Empresas de Pesquisas (ABEP), quando João Francisco Meira (Vox Populi) disse que a projeção das pesquisas não excluía a possibilidade de Dilma Roussef (PT) vencer José Serra (PSDB) no primeiro turno. Houve uma reação irada de Mauro Paulino (DataFolha). Paulino, no entanto, não reagiu quando, muito antes disso, Carlos Augusto Montenegro (Ibope) garantiu que Dilma não venceria a eleição. Meira foi ousado. Montenegro ousou ainda mais. Meira fez “especulação estatística”. Montenegro fez uma afirmação política.
Acredito nas pesquisas. Mas não duvido de eventual má intenção do pesquisador. É possível manipular respostas, ainda mais em país subdesenvolvido dominado pelos meios de comunicação em massa, aonde uma simples pesquisa tem o peso de desencorajar ou estimular o telespectador, digo, eleitor de massa a votar em seu candidato. Até que ponto essas pesquisas passam credibilidade ao eleitor exigente?


Fonte: CartaCapital, Vox Populi, DataFolha, Ibope, Sensus.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Um Talvez Fim Para o Comunismo Cubano


No dia 10 de Julho deste ano Cuba liberou 17 dos 52 presos políticos. E provavelmente esse será apenas o início das libertações. Foram libertos por Raúl com mediação da igreja Católica e alguns dias de greve de fome de um padre. Com isso, o Ministro das Relações Internacionais da Espanha comentou que isso pode levar ao fim do embargo dos Estados Unidos sobre Cuba que já dura décadas, e também disse que levantará a Posição Comum da União Européia. Com isso, a ilha de Fidel iniciará, provavelmente, uma comercialização mais constante não somente com a Europa como também com seu, até então inimigo, Estados Unidos. Isso seria um presságio para o fim dos resquícios de comunismo existente ainda hoje? Pode Cuba também tornar-se, como a China, Comunismo de Mercado?


Bem, tudo indica. Nos quatro anos que está no poder (dois anos oficialmente após a renuncia de seu irmão, dois como substituto de Fidel por problemas de saúde) Raúl Castro tem feito coisas que faria Che Guevara (líder revolucionario que ajudou Fidel na Revolução Cubana) se contorcer em seu túmulo. Raúl revogou o “igualitarismo” e o teto salarial, adotando agora um salário a partir da produtividade da pessoa. Entregou pouco mais de um milhão de lotes de terras do estado improdutivas em usufruto à população e melhorou o pagamento aos produtores, além de novas formas de comercialização, créditos e o fechamento de fazendas ineficientes, para aumentar a produção de alimentos. Autorizou licenças para taxistas privados, a fim de melhorar o trânsito. Sem esquecer a libertação dos presos políticos em um diálogo com a igreja Católica. Também revogou proibições quanto a população ter computadores, DVDs, celulares ou microondas e alugar carros, além da inauguração de um domínio próprio de sites cubanos .

Analisando todas estas ações de Raúl Castro no poder, é fácil chegar a conclusão que ele pretende reverter o rumo tomado pela “Ilha Socialista de Fidel”. Raúl parece pretender, já que o atual presidente dos Estados Unidos da América parece ter boa vontade e intenções de fazer tudo diferente, tomar atos na ilha para a revogação do embargo e tornar o país em algo não-comunista, já que alta produtividade, consumo e desigualdade são as bases para uma economia capitalista.

Obviamente, Raúl pode se conter no governo da ilha pelo motivo de Fidel ainda estar vivo, apesar de não no poder, mas, muito provavelmente, nada impede que ele tenha certas influências nas decisões. Obviamente, a ilha está no rumo de um comércio internacional, caso ocorra o fim do embargo comercial.

Foram apenas quatro anos, muita coisa ainda pode acontecer. Mas, neste tempo, o país tem enfraquecido seu comunismo ferrenho e de raiz, remando em direção ao famoso modelo chinês de “Comunismo de Mercado”. Infelizmente, ao cair, Fidel levou junto seu lindo "mundo de igualdade" chamado Cuba.